Não existe texto pronto e decorado. Tudo é na base do improviso e da criatividade. Não é necessário curso: o importante é ter boa voz, raciocínio rápido e ser comunicativo. O animador de porta de loja é figura de destaque nos aglomerados comércios populares de Salvador.
Por Dagoberto
A vida desse vendedor-artista não é fácil: grita e esbraveja os produtos e promoções oito horas por dia, seis dias por semana, na inglória tarefa de sobrepor sua voz à zoeira das ruas para chamar a atenção dos clientes. Essa pratica não é nova e nem moda. Nas sociedades primitivas, antes mesmo de existir a moeda como forma de pagamento, as negociações comercias eram à base de troca e gritos.
Em tempos de shopping, a atividade caiu em desuso em boa parte de Salvador, mas ainda é comum encontrar animadores no tradicional comércio do Centro da cidade. Aldemir Graça, 32, trabalha desde os 18 anos como animador numa loja “de R$ 1,99” em Sete Portas. Ele conta que, devido à concorrência, todos os dias tem que mudar os bordões, discursos e brincadeiras. De acordo com ele, a desenvoltura depende da promoção e do tipo de produto.
Além disso, há uma concorrência tecnológica: alguns lojistas disponibilizam caixa de som e microfone. Quem não tem o equipamento tem que se fazer ouvido gogó mesmo. Para Cleosvaldo dos Santos, de 26 anos, que trabalha como animador numa loja de tecidos na Avenida Sete de Setembro, é justamente a voz que torna a profissão um tanto ingrata: “No final do dia, sempre estou com a garganta dolorida”, confessa.

Faltou personagens com histórias. Certamente muitos deles têm algo interessante e inusitado para contar. Mas valeu