
Foto: Mateus Bastos
Três, dois, um, sinal vermelho! É dada a largada. O tempo é apertado para fechar negócio antes que o sinal abra novamente. Ao contrário dos camelôs, que esperam pelos clientes, os vendedores de sinaleiras correm – literalmente – atrás deles. Estes “malabaristas” do trânsito fazem uso de técnicas específicas adaptadas às pressões de tempo.
Por Jéssica Santos
“É preciso ter agilidade na hora da venda, pois tudo isso é enquanto a sinaleira está fechada”, explica Josué, vendedor que há três anos trabalha no cruzamento mais competitivo da cidade – a sinaleira do Iguatemi. Ele conta que a estratégia é perceber a necessidade dos clientes para poder oferecer o melhor produto e ter sempre o dinheiro trocado para passar o troco. No caso dele, a opção foi por água mineral, H2O e refrigerantes.
Josué fica atento à temperatura do dia e à necessidade visível de alguns motoristas: “Fico ligado nos carros que estão com os vidros abertos e quando tá naqueles dias quentes, que o sol tá rachando o chão, eu chego para o motorista e digo: ‘Freguês, olha a aguinha geladinha, nesse calor que tá vai te refrescar e te hidratar, freguês.’ Aí a pessoa não resiste e compra. Para o povo nos ônibus também eu vendo bastante, eles metem o braço pra fora para comprar”, diz o vendedor.
Esta preocupação com estratégias de venda entre vendedores informais começa a chamar a atenção de estudiosos do marketing, que apelidaram-na de Folks Marketing ou Marketing Popular. Para os comerciantes informais, que não sabem o que é isso, mas dependem dessa renda e para se manter, a inovação é questão de sobrevivência, devido ao crescimento da concorrência. A abordagem “Moço, compra um pra me ajudar” nunca esteve tão ultrapassada.

Muito legal
mas faltaram mais personagens
com estratégias diferentes